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Mensagens

Clarificações: arte e funções sociais

Eustratios Papaioannou, comentando o livro de  Andrew Laughlin Ford  The Origins of Criticism: Literary Culture and Poetic Theory in Classical Greece ,  situa muito bem o ponto em que se mantem a colocação das relações entre 'formalismo' e 'literatura social', entre a valorização artística da obra de arte e a valorização pelo conteúdo veiculado. Transcrevo:  The insistence on the “formalism” of Aristotle’s  Poetics , as opposed to archaic criticism is not a new matter. It is worth considering, however, how F. perceives formalism and whether this is justified by Aristotelian theory. According to F., formalism is the view that works of arts are precisely  works of art , that is, objects contained in themselves that are not to be judged by moral or ontological categories outside of their own artistic criteria. They are objects whose form and structure contain meaning free from any context or performance, objects that cause an aesthetic pleasure which is irredu...

José da Silva Maia Ferreira - uma biografia atlântica - resumo e notícia

  https://www.amazon.com/Jos%C3%A9-Silva-Maia-Ferreira-Portuguese-ebook/dp/B0CLGDRQ4N https://www.amazon.com/Jos%C3%A9-Silva-Maia-Ferreira-Portuguese-ebook/dp/B0CLGSCYWX?ref_=ast_author_dp Ao fim de muitos anos de pesquisa, da qual fui dando sinais aqui, fragmentários sem dúvida, publiquei finalmente a biografia de José da Silva Maia Ferreira. Como se sabe, t rata-se do primeiro poeta angolano a publicar um livro em Angola, entre o fim de 1849 e o começo de 1850. O título é bem conhecido: Espontaneidades da minha alma: às senhoras africanas .  O que publiquei foi uma extensa biografia centrada na pessoa do poeta e nas pessoas que o antecederam, que o acompanharam, com quem se relacionou. Pelas relações pessoais e sociais estudadas acabei fazendo igualmente um esboço do que foram várias das comunidades atlânticas onde se falava também o português: a angolense (Luanda e Benguela, principalmente), a brasileira (Rio de Janeiro e Recife sobretudo), a portuguesa (Lisboa e Porto), a ...

Vidas e mortes de uma narrativa biográfica - Abel Chivukuvuku e José Eduardo Agualusa

(aviso: texto em construção) Uma bela capa, mas não só. As biografias sempre suscitam com maior acuidade o problema dos limites entre ficção e história 'real'. É também já demasiado marcada a polémica em torno da realidade, que vem desde que o homem percebe e pensa, pois é pela dúvida sobre o que percebemos que tornamos a olhar e a pensar. Agora comecemos por uma obra: a biografia de Abel Chivukuvuku. Em primeiro lugar, aspetos estéticos, pois estamos perante uma obra literária e esta é uma página de crítica e teoria. De ritmo bem marcado, que se mantém ao longo do livro constante, ajudando a 'agarrar' a leitura, evitando excursos, alongamentos, distrações, dúvidas, frases longas, emboscadas, o discurso é direto e claro como numa reportagem, a longa reportagem de uma vida ainda sem conclusão. O "sem conclusão" fecha-se no fim, em que o autor acaba deixando no ar a provável hipótese de um renascimento mais da personagem que, por suas mortes e suas vidas, se apr...

Aproximações ao pensamento poético de António Telmo - notas iniciáticas

‘‘language was not a mere string of words. It had a suggestive power well beyond the immediate and lexical meaning. Our appreciation of the suggestive magical power of language was reinforced by the games we played with words through riddles, proverbs, transpositions of syllables, or through nonsensical but musically arranged words...” (Ngugi wa Thiong’o, Decolonizing the mind , 1986) Nota pessoal António Telmo viveu em Moçâmedes (Namibe), cerca de cinco anos, na primeira infância. Nesses casos é comum que o sol do deserto sul africano fique para sempre dentro da cabeça das crianças.  Conheci-o pessoalmente em Portugal e nunca falámos disso. O casal Pedro Martins - Risoleta Conceição Pinto Pedro é que me alertou para isso, no âmbito da construção que vêm fazendo da biografia de António Telmo. Também nunca falámos disso porque eu próprio quase nada falei com ele sobre África ou sobre Angola. O que na sua obra me interessou, sempre, foi a definição de pensamento poético e a cons...

Cendrars e a descolonização da Europa

  A descolonização da Europa: um refluxo globalizante Francisco Soares CITCEM-FLUP-UP Resumo : O artigo persegue uma hipótese clara: a de que a história literária europeia, particularmente o advento dos modernismos, pode ser compreendida, em grande parte, pela articulação dos respetivos países com o processo de globalização dos mercados. Exploro, com mais pormenor, o caso do escritor Blaise Cendrars antes do seu desembarque no Brasil. (i) 1 O processo de globalização dos mercados, para muitos autores, iniciou-se nos séculos XV e XVI, coincidindo com o princípio da expansão marítima e colonial europeia. A partir dessa altura, escritores das colónias, ou de reinos com uma intensa relação com países europeus colonizadores (como era o caso do reino do Kongo), tornavam-se literatos dentro de um sistema de ensino formal (o dos jesuítas, principalmente), inspirado no sistema das universidades europeias e na respetiva divisão dos saberes ( trivium , quadrivium ). Inteligiam das tradições o...