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Mensagens

Pedro Félix Machado e João Penha

O conhecimento da lírica de João Penha em Angola ainda nos é desconhecido. Por isso talvez, ainda não foram pesquisadas as possíveis intertextualizações de Sorrisos e desalentos , de Pedro Félix Machado, com a poesia do parnasiano português. 

Mário António - Poema - Rua da Maianga

A Casa Comum  disponibiliza cópias digitais dos arquivos da Casa dos Estudantes do Império. Esta hiperligação remete para uma lista de datiloscritos (a esmagadora maioria, por vezes com assinatura manuscrita) e manuscritos, incluindo um poema de Mário António que, ao chegar ali, tinha o título só de «Poema». Ficou depois com o título que o tornou famoso e que se tira do primeiro verso:

Falando simples: a imitação do homem

1 - A poesia não morre Falando simples: a poesia é a imitação do homem através da palavra, do verbo, da linguagem articulada - no mínimo (no máximo através da palavra e da representação mimética, ou seja: corporal, gestual).  É bem possível que todas as artes sejam a imitação do homem, diferenciando-se a partir dos mecanismos ou recursos que utilizam. Porque todas as artes são, também, exercícios de autorregulação, por via da experimentação, ou da estimulação programada e experimental de atividades cerebrais indispensáveis à sobrevivência. Por isso, pela função que desempenham na nossa existência, têm de simular atividades humanas e processos de compreensão e de expressão para testarem a sua eficácia.  Alguém dirá: mas aí não nos regulamos por um critério de verdade ou verificação. Regulamo-nos, sim. O critério estético é também um critério de verdade. Uma teoria feia, por esse motivo, acaba sendo afastada como hipótese pouco plausível. E a verificação se faz const...

Essa música de Ivan Junqueira

tem muito que se lhe diga. Penso que o livro pode ser visto como o testamento poético do autor, falecido no mesmo ano da publicação   (Junqueira, 2014) .   Reunindo poemas escritos entre 2009 e 2013, a sua composição parece dominada por critérios técnicos, formais, exceto em pouquíssimos poemas inseridos mais ou menos pelo meio do livro (não fui contar o número de páginas, isso não me parece importante para o caso). Os seus motivos e tópicos, em geral, estruturam-se em torno de uma verificação, de uma exímia e, paradoxalmente, sensível filtragem que não recusa nenhum estímulo (portanto: nenhum motivo), mas os examina. Os poemas são, muitas vezes, esse exame que, ou depura a visão e a presença, ou justifica e processa a renúncia. Em todo o livro, quer na montagem-desmontagem formal, quer na dos conteúdos, a ligação a uma cultura clássica, do filão euroamericano principalmente, apoia com seus intertextos os passos do escritor. Indo por partes, aqui pretendo ainda ...

Intertextualizações em Doçura de Maurício de Almeida Gomes

  DOÇURA Quando a fitei extasiado, suas mãos pálidas, mimosas, escolhiam frutas bem cheirosas num recanto calmo do mercado. E por mero acaso (eu sei!, senhora minha desconhecida, Ai! só por mero acaso…) vossos olhos belos, plácidos e meigos, negros, fulgurantes, sobre mim poisaram, - p’ra logo se afastarem Indiferentes, distantes… Ao compor na rede a gostosa fruta, um pouco vos baixastes e o decote largo do vestido azul afastou-se lento como onda branda de cansado mar… Sem indiscrição, vi maravilhado duas lindas dunas cor d’areia fulva… Depois, naturalmente, sorrindo leve, leve, pisando manso, manso, (ai, se eu fora as pedras duras do caminho) andando lentamente, seguiste vosso rumo, senhora, Minha Desconhecida… Nesse rosto mato mórbido, estranho, vi a cor suave duns certos poentes mágicos de Angola. Vossa boca em sangue (Oh! acácias rubras esplêndidas, ao sol!) vossos olhos fundos (Oh noites de Luanda, de estrelas ap...