Almeida Garrett (1799-1854), grande poeta português que Machado de Assis venera mas acha (com razão, a meu ver) por vezes ingénuo, era lido e louvado em Angola através de muitas obras. E não foi só lido por portugueses residentes, pois até a sua crítica ao colonialismo , quando escreve e poetiza sobre o Brasil, encontraria mais eco nos filhos da terra que nos estrangeiros residentes. Crítica, aliás, ao colonialismo, à escravatura e ao racismo: Malfadado Brasil; metal p'rigoso Germe de crimes preço de mil vidas Que de augusta razão por vil opróbio À dif’rença da cor veda o ser de homem. Em Angola encontramos obras suas a partir, pelo menos, de 1855, num espólio em Benguela, onde se menciona Camões: poema (as fontes anteriores, em particular os Inventários orfanológicos de Luanda, não me foi dado consultar até hoje, apesar dos esforços desenvolvidos). Logo no ano seguinte aparece a primeira edição das Flores sem fruto num segundo espólio. Não estávamos muito atr...