A II trienal de Luanda continua a cumprir uma função estruturante no meio artístico luandense: a de atualizar as culturas artísticas locais pelo emparceiramento com criadores de outros países e de qualidade evidente.
Este ano a fotografia ganhou relevo e mostrou o que já se vinha observando a pouco e pouco, mitigadamente: que a fotografia artística angolana pode apresentar-se, de igual para igual, em qualquer parte do mundo. Esta trienal torna-se, por consequência, um marco na história da fotografia angolana – ainda que, felizmente, não se reduza a isso.
Outra escolha da trienal que me parece de realçar é a inclusão de espetáculos de leitura de poesia, articulada ou não com música, design, fotografia, projeções. Há sem dúvida mais trabalho a desenvolver, porque a apresentação de poesia é – também ela – um espetáculo total, incluindo performance, representação, mímica, projeção de imagens e de sons, dança. O poema chama por tudo isso para se transmitir. Por sua vez, nem todos os poemas se prestam a tal tipo de apresentações, o que impõe uma seleção específica em função dos efeitos cénicos e sonoros proporcionados pelos versos. Mas o começo foi promissor, apesar das falhas técnicas no espetáculo de Orlando Sérgio e Miguel Hurst.
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