“É urgente criar uma mentalidade de rigor e profissionalismo
na gestão das empresas públicas. Tem que haver uma boa gestão, fazer prevalecer
o princípio da transparência e da prestação de contas” – afirmação, pertinente
e notável, da Ministra da Comunicação Social em entrevista ao Novo jornal (19-11-2010, p. 13). E muito
mais em se tratando de empresas de comunicação social, em que o rigor e o
profissionalismo se estendem à exatidão, isenção e sentido de oportunidade da
notícia, à necessária existência de contraditório, ao rigor usado na linguagem
e no raciocínio, à acuidade das perguntas em entrevistas, etc.
Da mesma entrevista (mesma página): “infelizmente, [d]os
pedidos que estão aqui no Ministério [para abertura de televisões privadas…] o
tipo de nome que é dado à televisão, os planos editoriais que nos apresentam,
que não são aliciantes nem abrangentes, [bem como] pela falta de capacidade
financeira” não podem ser aprovados. A TV Zimbo, por reunir todas essas
qualidades, foi aprovada e está a funcionar legalmente, segundo a Ministra (v.
também p. 12).
Editorial do Jornal de
Angola, 3.ª F.ª, 16-11-2010 (p. 6): «Em honra da verdade». Início do
editorial: “as comemorações da proclamação da Independência Nacional foram
marcadas por intervenções de diversas personalidades, angolanas e estrangeiras,
de diferentes quadrantes político-ideológicos e religiosos”.
Declarações de Alcides Sakala ao jornal O país (puxadas, também, para o portal Angonotícias): a UNITA não foi convidada para as comemorações da
independência. [Dias depois de publicada esta mensagem, o chefe da Casa Civil do Presidente da República reuniu-se com Samakuva e explicou-lhe que, por erro de protocolo, se tinha gerado essa situação; o dirigente da UNITA disse ter ficado satisfeito com a explicação. De sublinhar a diferença de atitudes: uma escamoteia, para não dizer que mente; outra reconhece e explica, mesmo que uma explicação pouco convincente, porém a atitude de se explicar uma falha nossa é que é de realçar e, ao reconhecer a dignidade do adversário, granjeia para si o mesmo sentimento de dignidade].
Da mesma entrevista ministerial (mesma página): o jornalista
perguntou se os novos Conselhos de Administração (dos órgãos públicos de
comunicação social) também “terão influência nas linhas editoriais” e a
resposta foi “claro que sim. Há uma linha editorial a ser protegida e
melhorada”.
Ainda da entrevista ministerial: “o Ministério da
Comunicação Social tem estado aberto para dar apoio a iniciativas da imprensa
privada” (mesma página).
Da mesma entrevista (mesma página): “não leio o Club K”
(podia ter dito: não comento cartas anónimas; ou: não há contraditório no Club
K. Uma tal resposta seria mais certeira e teria melhor receção).
Comentários
Enviar um comentário
Comente