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Mensagens

Exílios - aos amigos moçambicanos

  EXÍLIOS: COMEÇO POR AGRADECER     Aos meus amigos moçambicanos. A Gabriela Ruivo Trindade A Nara Vidal A Japone Arijuane À FILQ     Boa tarde e boa noite.   Começo por agradecer a todas as pessoas aqui presentes e às que tornaram possível este encontro. Segue um abraço especial de parabéns para Amosse Mucavele e seus companheiros pela dedicação à causa áspera e forte (Humberto da Silvan), nobre e acre da literatura e, em particular, à causa da literatura em Moçambique.   Parafraseando Tomás Jorge, hoje a minha voz é de búzio […] hoje não trago nada para dizer . A nossa história foi tecida com prisões, exílios e combates. É por isso difícil aprendermos a paz. A paz interior, a que não precisa de ordem, mas de liberdade e de harmonização. Do regresso da ausência de si mesmo (Henrique Guerra).   São geralmente conhecidos os principais exílios da luta pela independência, na tentativa de resgatar o que não foi poss...

O jardim das delícias

É muito provável que a mente humana siga procedimentos básicos, primários, ou fundamentais, que nos orientam nos mais diversos campos de atividade. A psicologia conhece alguns deles há muito tempo. Na perceção, como na cognição, como na arte, operamos por comparações, analogias e contrastes. Os olhos dirigem-se primeiro para onde há mais luz; o discurso dirige-se primeiro para o que marcadores emotivos assinalam como mais importante; o foco da nossa atenção dirige-se primeiro para onde há movimento. Ao fazermos isto, já estamos a trabalhar em contraste (portanto a comparar, é o que contrasta com o 'fundo' - que assim se torna fundo - que nos atrai a atenção). Também já estamos a fazer conotações (intuitivas, claro, ou mesmo instintivas - usando os termos com muita imprecisão. Olhamos para a luz, o movimento, o que nos emociona, porque automaticamente isso é conotado com perigo, vida, alimento - ou seja, com a procura de equilíbrio interno e harmonia na relação com a origem dos ...

Entre a lua, o caos e o silêncio: a Flor - prefácio

Recentemente lançada a mais completa antologia de poesia angolana que se publicou até hoje.  Tive o prazer de escrever o prefácio, que reproduzo:   1 – Ponto prévio A literatura desenvolve-se e propaga-se pela palavra escrita, mais precisamente pelo uso das letras para designar os sons da linguagem. O sistema onde se inclui a literatura, porém, assenta sobre várias esferas de circulação artística e, portanto, integra as oralidades, a escultura de provérbios como nos testos de panela, a geometria de estórias e ensinamentos como nos desenhos sona , as memórias arcaicas (dos arcanos ou dos princípios) como nas figuras do Tchitundu-hulu. Simultaneamente, não deixa de lado os restantes sistemas artísticos, a cujos estames recorre como o vento (ou seja: passa por lá e leva as sementes), porque a sua própria constituição é intersistémica, descontínua e abrangente. Como diria, em resumo, Aristóteles, numa linguagem mais antiga ainda que esta meio estruturalista, a poesia (termo ...

Línguas e cognição na formação da literatura angolana

  A transformação de uma língua  em contextos plurilingues, ou multilingues, implica distanciamentos epistemológicos também, cuja consideração se torna necessária e vem alargar, por outra via, a perspetiva de Mário António acerca da formação da literatura angolana. Habitualmente, quando falamos na formação transcultural em contexto multilinguístico, não consideramos esse aspeto fundamental. Não costumamos reparar, ao falarmos em línguas e culturas em convívio, na relação do contexto multilinguístico e multicultural com o processamento cognitivo. Exploro com a brevidade possível essa hipótese de alargamento da perspetiva inicial de Mário António que, assim alargada, é familiar a outros ensaístas também.   A compreensão das transformações cognitivas (periodicamente sinalizadas por metáforas e alterações sintáticas e morfológicas) precisa de um resumo rápido de como concebo, quer a cognição, quer a linguagem, bem como as relações entre elas. Para me explicar, parto do proc...