Recentemente lançada a mais completa antologia de poesia angolana que se publicou até hoje.
Tive o prazer de escrever o prefácio, que reproduzo:
1 – Ponto prévio
A literatura desenvolve-se e propaga-se pela
palavra escrita, mais precisamente pelo uso das letras para designar os sons da
linguagem.
O sistema onde se inclui a literatura,
porém, assenta sobre várias esferas de circulação artística e, portanto, integra
as oralidades, a escultura de provérbios como nos testos de panela, a geometria
de estórias e ensinamentos como nos desenhos sona, as memórias arcaicas
(dos arcanos ou dos princípios) como nas figuras do Tchitundu-hulu. Simultaneamente,
não deixa de lado os restantes sistemas artísticos, a cujos estames recorre
como o vento (ou seja: passa por lá e leva as sementes), porque a sua própria
constituição é intersistémica, descontínua e abrangente. Como diria, em resumo,
Aristóteles, numa linguagem mais antiga ainda que esta meio estruturalista, a
poesia (termo que uso para nomear todas as manifestações de arte verbal) é a
imitação do homem através da linguagem (ou das linguagens, se preferirem). Portanto
nenhuma linguagem lhe é estranha.
2 – Historial
Essa ideia de conjunto assistiu sempre, assumida
ou liminar, à criação e, sobretudo, ao desenvolvimento de uma comunidade
literária em Angola. Disse, de propósito, literária e não poética, porque falo
da escrita e de uma escrita não-simbólica. Em A literatura angolana, em
1963, Carlos Ervedosa já narra o nascimento da primeira geração nacionalista no
ambiente suburbano das conversas de muro ao fim do dia, das farras de
musseques, e transcreve ou refere a poesia oral urbana, incluindo as histórias
das ou para as crianças, os casos do dia e, particularmente, a poesia das
marchas de carnaval, como a da Cidrália, ou Cidralha, ou a dos Invejados
O primeiro livro a levar uma de mão de um
angolano foi um catecismo
No mesmo século, a História geral das
guerras angolanas
Do ‘outro lado’ desta complementaridade, ou
seja, pela parte da semiosfera paracolonial, podemos reter o exemplo de Beatriz
Kimpa Vita, cujos sermões, orações e lema, ao criar o antonianismo, se
tornaram famosos também pela arte da palavra, que misturava as referências do
Livro (a Bíblia) com as do complexo sistema religioso e cultural do
Congo (Kongo).
Não será necessário somar exaustivamente os
passos dessa convivência intersistémica. Basta mencionar que, ao publicar o
nosso primeiro roteiro crítico-histórico, em 1959, inserido numa antologia
organizada por Carlos Ervedosa (em livro introduzido por ele e por Fernando Costa
Andrade para a Casa dos Estudantes do Império), Mário António já começava o seu
“Estudo”, justamente, pelas tradições orais do território entretanto angolano,
antes de passar à história da literatura, ou seja, da arte da palavra pela
escrita não-simbólica nem ideográfica.
A antologia da poesia angolana que agora
introduzo – a mais completa que já li até hoje – vem culminar o rumo e o
esforço historiográfico iniciado por Mário António, Carlos Ervedosa, Costa
Andrade e outros no âmbito da CEI. Começa, por isso também, cartando água do
mesmo rio profundo que é o das nossas oraturas, ampliando a diversidade das
recolhas e das culturas para-coloniais antologiadas (se o termo não existe –
para-coloniais – fica registado e, segundo o novo acordo, sem hífen:
paracoloniais).
3 – Cronologias
A cronologia da nossa literatura pode-se
dividir em três grandes períodos, que esta antologia demonstra bem, mesmo não
seguindo, em absoluto, um critério cronológico. A consideração das oraturas é
mais complexa.
As oraturas, também elas, sofrem e provocam
mutações em face da presença, não direi colonial (uma vez que toda a história
da humanidade foi colonial), mas extracontinental, como em face de qualquer
presença estrangeira. Havia, mesmo antes do assentamento colonial europeu no
interior, uma circulação intensa de oralidades, a maioria bantos, outra
misturando com as europeias e bíblicas de raiz. O comércio e a catequização
punham a circular essas notícias de longe, cruzando-as com o corpus local,
do que dão sinal as recolhas de Cordeiro da Mata e Chatelain já no século XIX.
Há, portanto, uma fase pré-colonial, outra paracolonial e outra colonial e
pós-colonial, no que diz respeito às oraturas veiculadas no atual espaço
angolano.
Quanto ao percurso de formação de uma literatura
angolana, escrita e impressa, passo a detalhar os três períodos em que penso.
O primeiro período foi o da longa e
descontínua criação da comunidade literária local. Iniciado com a chegada das
escolas e a alfabetização de filhos da terra, deu os primeiros sinais com a
elaboração de uma tentativa de história de Angola (na verdade, história da
instalação da colónia de Angola, em particular no que diz respeito a Luanda e à
religião) despoletada pelo Visitador e Geral Pero Rodrigues quando visitou a
missão local (veio a ser, em seguida, geral do jesuítas no Brasil e o segundo e
mais importante dos biógrafos iniciais do Pe José de Anchieta). Um
concurso realizado pelos jesuítas, para comemorar a beatificação do Pe
Francisco Xavier, acolheu muitas colaborações de filhos da terra, sobretudo dos
que estudavam no colégio de Luanda, filhos de sobas, sekulus e comerciantes
locais ou residentes. Por aí se vê que havia, não só leitores de poemas e de peças
literárias, também cultores das musas entre nós nesse tempo recuado.
Cadornega, na História geral das guerras
angolanas, ao transcrever um poema (um ‘repente’, manuscrito) do capitão
António Dias de Macedo, aqui reproduzido, nos deu sinal da continuidade poética
nos pequenos núcleos urbanos coloniais desse tempo (para o caso, Massangano,
Muxima e terras afins). Ainda no mesmo século XVII, sabemos da existência de um
poeta e nobre congolês, D. Miguel de Castro, que também compunha em latim.
Não é provável que, depois disso e até 1850,
ninguém mais escrevesse poemas em Angola. Simplesmente não nos restam provas ou
sinais dessa prática, pois estarão guardados ainda em arquivos, sobretudo os da
Igreja, a que não temos acesso no momento (possivelmente estarão no Vaticano ou
em Lovaina).
Esta fase está representada, na antologia,
pela secção «Primeiros documentos literários (poéticos)» e reúne dois textos,
um de um filho da terra e outro de um reinol, ambos do século XVII e
transcritos por Cadornega.
Quando, entre o fim de 1849 e os primeiros
meses de 1850, veio à luz o primeiro livro de líricas escrito por um angolano e
impresso em Angola, havia já uma pequena comunidade local operando no terreno. Fora
escrita (na última década do século XVIII) a História de Angola, do luso-brasileiro
Elias Alexandre da Silva Corrêa
Esse berço, também cultural e literário,
dará lugar à comunidade de escritores e leitores do segundo período, que Mário
António definiu como o da formação da literatura angolana (genericamente
1850-1949, embora o ensaísta de Maquela prefira 1851-1950). Era um meio social
embrenhado profundamente (por negócios e famílias) no interior do país e com
ramificações familiares ou comerciais no exterior (sobretudo no Brasil, mas
também nos EUA e, claro, em Portugal). É o momento, não só da formação, mas da
gradual e cautelosa diferenciação literária e identitária dos filhos da
terra face à potência colonial, impante nos seus abusos e grávida da
violação consagrada pela Conferência de Berlim. Durante esse processo irão
gradualmente substituindo a expressão definidora (filhos da terra) pela
racial (negros ou, por eufemismo, africanos), sob influência
americana, trazida no bojo dos navios onde muitos deles se empregaram.
Por essas e outras vias (a das notícias
vindas de outras colónias e ex-colónias africanas e americanas, a da Casa dos
Estudantes do Império, o fluxo estudantil para a Europa livre ou democrática, e
também para o ‘bloco de Leste’, etc.) eclode ou explode a nossa primeira
literatura nacionalista, inaugurando a fase de afirmação, de soberania,
propriamente nacional, que vem até hoje – sofrendo embora uma transformação
radical nas últimas décadas, o que esta antologia torna bem visível. Agora são
os novos angolanos que desenvolvem naturalmente uma literatura própria,
diversificada e aberta ao imprevisto.
O século XIX está contemplado, na
antologia, na secção «Precursores». O século XX (e até aos nossos dias) está
incluído na secção «Modernidade e Contemporaneidade / Continuidades e
descontinuidades».
A fase final deste período, que hoje
vivemos, acompanhando (por vezes antecipando) a vida política, social e
antropológica, os movimentos demográficos e migratórios, as crises económicas e
militares locais e globais, assiste à implosão da comunidade literária anterior
e à sua substituição pela multiplicidade de critérios, fontes, padrões e
protagonistas. No coroar de todo o historial anterior, construíra-se um espelho
de nação – a angolana – único sem dúvida (de Cabinda ao Cunene) através de uma
tessitura cuidada, fabricada lenta e criteriosamente por nacionalistas
cautelosos, que procuravam chão firme para o sustento mental e político de uma
identidade comum. Tal espelho encontrou moldura e até substância na União de
Escritores Angolanos, similar a muitas Uniões pelo mundo socialista fora. Ela
centralizava a ainda pequena comunidade literária local e definia os cânones,
os paradigmas, os limites ou a ‘essência’ da angolanidade literária – termo
equívoco, mas útil politicamente. Não necessariamente por um processo
autoritário, mas decorrendo de uma linha de continuidade que, sendo
nacionalista e angolana, se tornara também socialista e unívoca – numa
sequência comum a vários países do mundo. Pertencer à literatura angolana
implicava então – sem que nenhuma lei nos obrigasse a tanto – pertencer à União
de Escritores. Houve raríssimas exceções embaciando o espelho e que não o
macularam, casos ilustres como os de Mário António, mas também um Manuel dos
Santos Lima destoando e criticando o cenário do partido único da literatura,
como vários outros, sobretudo jovens.
Esse espelho, no entanto, quebrou-se, a par
do sistema de ensino completamente falsificado. E hoje assistimos ainda à
descentralização política (insuficiente na dimensão geográfica) dos mecanismos
reguladores e sancionadores da comunidade literária angolana. Ao mesmo tempo,
contornando e superando as carências determinadas pela falência do sistema de
ensino, os novos leitores e escritores abriram a sua formação, partindo de uma
oralidade suburbana em ebulição para o contacto com as literaturas globais, ou
globalizadas, através da internet. Isso, por sua vez, aumentou brutalmente a
imprevisibilidade do sistema, já pouco previsível em razão do crescimento
aleatório dos subúrbios e da própria cidade antiga. Ciências como a demografia,
a sociologia, a antropologia, a neurobiologia e a psicologia social nos
ajudarão a explicar o fenómeno um dia mais tarde. A nós, críticos, estudiosos e
interessados, cabe registar, para já, as diferenças e a substancial
intensificação criativa, pedindo embora uma formação mais sólida aos seus novos
protagonistas.
A breve história que venho de vos contar
ilustra-se, quase toda ela (haverá sempre ausências), nas páginas da antologia
organizada pela Irene Guerra Marques (verdadeira decana dos estudos literários
em Angola) e pelo Carlos Ferreira, nascido, criado e continuado nestas lides
dos ‘cabouqueiros’ da angolanidade literária.
4 – Critérios
Nunca se faz nada por uma só razão. Pensa-se
que sim, mas logo se descobre (ou alguém descobre) que não. Pode haver um
critério definido e sacralizado para tomar decisões, mas outros assistirão na
sombra, quero dizer que prestarão serviço mesmo que anonimamente. O processo
psicológico que nos leva a decidir usa uma soma de motivos e de razões, afeções
e lógicas. Perguntar, então, pelo critério organizador da antologia, mesmo
quando os antologiadores expressam algum, será sempre um convite ao
reducionismo.
O critério mais evidente nestas páginas é o
da abrangência.
Quando organizamos uma antologia, tal como
quando compomos uma obra, podemos ser minimalistas ou maximalistas. Esta é uma
antologia maximalista. No curto e pouco volumoso historial crítico da nossa
literatura, Mário António e David Mestre representariam o polo oposto, no que
diz respeito à reunião dos seus próprios poemas. António Cardoso, pelo
contrário, disse-me uma vez que, se existisse um pequeno brilho, uma centelha,
uma fagulha de inspiração poética, uma imagem feliz e inovadora, ele
antologiava, caso fizesse uma antologia. Aqui foi seguida a linha de António
Cardoso (e de vários outros, claro). Era já tempo de a poesia angolana possuir
uma recolha representativa dos mais variados autores, incluindo-se nela muitos
que ficaram esquecidos, ou que não tinham sido notados ainda. Ela procura
dar-nos, assim, uma espécie de impressão geral do ambiente literário no qual farejamos
um percurso e algumas características de épocas. Não tendo acesso a todos os
livros e a poemas dispersos dos autores aqui antologiados, os leitores colhem
nestas páginas exemplos suficientes para criarem um quadro geral, acautelado
pela diversidade, que poderão desenvolver ou detalhar.
Note-se que a antologia vem depois de
décadas (e sobretudo as últimas duas) em que surgiram várias recolhas parciais.
É comum a muitas delas a tentativa de colar nomes e obras mais recentes a nomes
e obras canónicos. O objetivo era torcer o padrão num sentido favorável aos
organizadores e amigos. Isso não são propriamente antologias representativas de
um panorama ou processo histórico, mas sim propostas de negociação do poder
cultural e literário por parte de quem, momentaneamente, possui condições para
publicá-las e algum cargo para as tornar mais fortes no nosso ainda pequeno
meio. Sintomaticamente, essas tentativas foram surgindo a par do esboroamento
do poder literário na comunidade luandense. Uma antologia como a presente
supera todas as tentativas anteriores, precisamente porque não vem negociar
poder cultural, apenas mostrar o mais possível. É como se nos dissessem: tudo
bem, lutem pelo poder cultural, mas não se esqueçam que nós somos e fomos isto
tudo.
O recado chegou no momento certo.
Na sua primeira tentativa de contar a
formação da nossa literatura, Carlos Ervedosa, nas várias edições e em cada
edição (A literatura angolana, Roteiro da literatura angolana),
também não seguiu só um critério, nem para os exemplos, nem para a estrutura da
obra. No caso do Roteiro, após a breve referência às oraturas, parece-nos
que ele irá seguir um critério cronológico para a resenha, natural porque nos
conta uma história. Mas depois o seu Roteiro chega a interromper o
critério cronológico para satisfazer um critério geográfico, falando nos poetas
de Benguela.
Também nesta amplíssima antologia nos parecia
dominante o critério cronológico: primeiro as oraturas, não só como envolvente,
mas a par disso reafirmando o pressuposto da sua anterioridade. Em seguida os
primórdios, os precursores e depois a ‘modernidade’ e a ‘contemporaneidade’ –
amplo chapéu de chuva para manifestações artísticas bem diversas. O subtítulo
dessa última parte nos dá, no entanto, uma chave de leitura: “continuidades e descontinuidades
(séc. XX – séc. XXI)”.
A antologia realmente parece ter seguido um
segundo critério, o comparativo, na sua leitura da nacionalidade literária. De
comparações internas, é claro, mas pertinentes na medida em que nos trazem a
consciência do que se perdeu e se ganhou a cada passo. Ao fazerem-no
conduzem-nos pela dinâmica sub-reptícia das leituras que também articulam e
explicam os textos.
Na parte moderna e contemporânea, a mais
habitada da nossa curta história, o critério cronológico foi totalmente
abolido, passando-se a dispor os autores numa sequência alfabética, determinada
pelo primeiro dos nomes por que são conhecidos os poetas habitualmente (por
exemplo, António Agostinho Neto não entra como António, nem como Neto, mas como
Agostinho, devendo procurar-se entre os de letra A, ou seja, no primeiro grupo).
Dessa maneira o leitor terá mesmo de contrastar e assimilar para progredir, ou
então poderá reconstituir a sequência cronológica a partir das datas indicadas
abaixo dos nomes – mas não aconselho a perder tempo com isso.
A mudança de critério traz outra
consequência também, que é a de observamos mais a poética de cada autor do que
o reflexo da época nela inserido. Como atomiza o panorama histórico e o atual,
os nossos olhos vão percorrendo átomo por átomo, sem que nenhuma ligação entre
as partes as amarre previamente. Esse é o trabalho do leitor, o de encontrar as
ligações, anotá-las e construir assim a sua percepção ou representação do nosso
panorama poético. É essa atomização que nos leva a repararmos mais na pessoa
(poética) do que no grupo em que se integra e, depois, a relacionar as artes de
cada um despidas de pré-conceitos. Em uma literatura que teve poucas
manifestações geracionais, a chamada (mesmo que involuntária) de atenção para
cada um torna a leitura mais próxima da realidade. E mais contemporânea,
também, na medida em que essa é a situação da comunidade literária nacional
hoje: atomizada. A propagação, quando há, é fractal e solitária. Não chega a
constituir uma proposta, quando muito uma constatação. Mesmo dentro de grupos
como o Lev’Arte ou o Litteragris não há, propriamente, uma afirmação
geracional, ou melhor, um grupo de características técnicas (artísticas) e
temáticas unindo os poemas das e dos protagonistas. Não podemos, portanto,
falar em proposta estética geracional, ou em uma proposta artística de grupo.
Temos intenções gerais, dois ou três princípios diferenciadores e iniciais e
depois cada poeta vai desenvolvendo a sua arte de uma forma totalmente personalizada
– o que é muito bom, já ninguém suporta fundamentalismos e fundacionalismos.
5 – Nota final
A última secção do livro contém as
informações biográficas e bibliográficas sobre os autores, em sequência que
reproduz a dos poemas (autores mais antigos, depois os modernos e
contemporâneos por ordem alfabética e seguindo os nomes por que são conhecidos).
Não será uma lista exaustiva, quanto às informações acerca de cada autor. É uma
lista para lançar pistas, ou resumir, e quem estiver interessado investiga
mais. O número de recolhidos é tal que os antologiadores levariam muitos mais anos
para reunir toda a informação disponível. Uma antologia, de resto, não é uma
sequência de biografias académicas.
Pelo mesmo motivo, pode haver informações
que não tenham sido confirmadas e outras vieram de testemunhos ou de afirmações
pessoais, não de fontes documentais - em geral inexistentes ou desconhecidas. O leitor talvez não imagine a dimensão da
rede de contactos que é preciso acionar para saber datas e locais, às vezes até
o nome completo de um poeta, profissão que exerceu, etc.. Se imaginar, em
seguida pense no tempo que levaria a confirmar cada uma dessas informações e
testemunhos e concluirá que uma antologia assim nos pediria toda a vida para
concluí-la. Mas a função que se propõe esta vasta recolha não é, mais uma vez,
a de construir biografias académicas. Como disse, e
reafirmo, não temos outra antologia tão completa, abrangente e diversificada
como esta.
Francisco Soares,
Rio Grande, 27.7.2020.

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