O título deste romance está muito bem posto. Não tanto no sentido moral, ou aparentemente moral, que pode comportar nesse romance, mas pela falta de luz no conhecimento e relacionamento que temos uns com os outros. O desfile de máscaras e moralidades, que traz a profusão barroca de peripécias à narrativa policial escrita por Sandra Brown, coloca uma questão que me parece pertinente: a té que ponto o policial é indissociável do jogo de máscaras? Em que medida o velar e desvelar de máscaras no policial cumpre também uma função social, avisando-nos da constante falsificação das relações pessoais nas nossas sociedades e seus arredores ou margens de risco? Ainda que timidamente, houve disto em Angola nos anos 30, com Augusto Bastos ( Aventuras policiais do repórter Zimbro ) e Assis Júnior ( O segredo da morta ). Essas narrativas exemplares aclaravam para o leitor os caminhos sombrios, abrindo espaços de denúncia e de solução. Em parte, Pepetela retomou o serviço com o anti-h...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.