Noites de vigília , de Boaventura Cardoso, é um romance crucial para a História de Angola e da Literatura Angolana. Passo a explicar porquê e quem tiver a oportunidade de ler o livro certamente vai concordar comigo. 1. Não é tanto pelo estilo. O estilo do autor, neste livro, apura-se mais uma vez. Por exemplo, o trabalho sobre a linguagem torna-a ligeiramente mais leve, de leitura mais corrente, sem abandonar as suas principais características, que a inscrevem numa linha de subversão linguística de inspiração popular que, vindo embora de uma componente do Ulisses de Joyce (e, para nós, de Guimarães Rosa), tem uma tradição própria já em Angola, desde Luandino Vieira até Ondjaki, manifestando-se principalmente na prosa narrativa mas ainda na poesia em verso, logo desde João Maria Vilanova e suas Vinte canções para Ximinha (1971). Dentro desta vertente estilística da nossa literatura a prosa narrativa de Boaventura Cardoso ocupa, sem qualquer dúvida, um lugar muito...