O darwinismo tem, naturalmente, aspetos bons e maus. Pelos aspetos maus vai respondendo a sua superação; pelos bons o seu aproveitamento no presente e, quem sabe, no futuro. Um dos aspetos interessantes no darwinismo, para o qual Popper chama a nossa atenção, prende-se com o facto de ele nos fornecer uma visão da evolução, desde os micro-organismos até nós, como uma aplicação do método de tentativa e erro. Um dos aspetos negativos é a mania de querer explicar tudo o que é humano a partir da nossa história evolutiva. Deste aspeto negativo emergiu uma corrente no entanto produtiva, muito oportuna para os estudos literários e artísticos. Ela procura compreender a comunicação artística em função da nossa memória adaptativa, da sobrevivência da espécie e da seleção sexual. Embora o próprio Darwin reconhecesse os limites da aplicação de uma leitura evolutiva à arte, demasiado “caprichosa” para se deduzir das leis da evolução, esta corrente tem-se afirmado e trouxe algum vigor ...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.