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Mensagens

Intertextualização revolucionária

No auge da paixão revolucionária, a UEA (geralmente avessa a publicar literatura estrangeira) fez sair em Luanda (com dedicatória a Agostinho Neto) um instrutivo livrinho de versos intitulado  Poesia uruguaia de combate . O primeiro  poema era uma "Saudação e mensagem para 1979 // Poema circulante em Montevideo durante os meses de Dezembro de 1978 e Janeiro de 1979, editado pelo Jornal clandestino da União das Juventudes Comunistas do Uruguai como saudação e mensagem popular de fim de ano." Juntava assim um recurso (e um título) típicos do ultrarromantismo (saudações de fim de ano, apontamento das circunstâncias que deram inspiração ao poeta, etc) e um título e circunstância tipicamente políticos. A mistura era normal na revolucionarite da época. O começo do poema também nos mostra como já nessa altura a poesia revolucionária era epigonal:    Ninguém tem mais direito que nós A levantar o copo. Quem mais que nós pode brindar Por c...

O Prometeu angolano

António Jacinto explorou também o mito de Prometeu, num dos seus contos. Escrevo também porque me lembro de Pepetela no Mayombe . É uma linha de exploração a seguir, no estudo da literatura angolana, o mito de Prometeu entre os escritores nacionalistas. É lógico o aproveitamento, pois a figura mítica de Prometeu foi considerada por alguns o próprio criador da Humanidade (a partir do barro, o que traz ressonâncias bíblicas e egípcias muito sugestivas), para além de salvador e civilizador dos homens, aquele que roubou o fogo para nos dar a nós. Ele representa ess ânsia de anteciparmos o paraíso, de o fazermos vir à terra. Ora o paraíso na terra é, precisamente, um dos tópicos típicos da retórica política marxista e, como sabemos, António Jacinto (como Pepetela) era marxista. Isso traz um sentido muito preciso ao trabalho literário por eles desenvolvido em torno de Prometeu e ajuda-nos a perceber melhor as conotações simbólicas das respetivas obras. Ainda no início do conto «Prometeu»...

Benguela - pântanos

Boletim oficial do Governo Geral da Província de Angola . 372 (13-11-1852) 2:  A 5-11-1852 foi aterrado o pântano que existia a Este da Fortaleza de S. Filipe de Benguela (é o próprio Governador, José Rodrigues Coelho do Amaral, quem dá a notícia). A Fortaleza dessa época supõe-se que ficasse onde hoje funciona um serviço da polícia e onde era o quartel, frente à Igreja do Pópulo e junto ao mar. Levando em conta o desenho da costa, o Este ficaria entre a Igreja do Pópulo e o bairro do Kioche, incluindo portanto uma parte do Feijão-mistura, a zona do Hospital e o bairro em torno dele. Levando, porém, em conta o mapa  de Nicholas Bellin, de 1757, a igreja ficava em frente ao pequeno fortim, não sendo indicadas casas à volta ( http://www.cpires.com/benguela_mapas.html ) . Há, sim, casas a Nordeste (poucas) e Sudeste, com dois edifícios maiores isolados a Este do Forte de São Filipe que, nesse caso, ficaria localizado algures entre o atual Palácio do Governo e o antigo Ciclo Prepa...

Cancioneiro oral annobonês

O CEIBA é uma instituição muito ativa nos estudos africanos na Catalunha. Ativa e com trabalho sério, isento, sobre as literaturas tradicionais africanas e outras, as urbanas. Juntamente com os Centros Culturais Espanhóis da Guiné Equatorial publicou, penso que em 2008, o Cancioneiro oral annobonés . Trata-se de uma recolha a vários títulos exemplar, embora feita com muitas limitações (por exemplo: a maioria dos textos foi recolhida junto a populações originárias da ilha – Ano Bom – mas que não estão a viver ali). O Cancioneiro é um texto importante para linguistas, estudiosos dos crioulos e pidgins. Eu não sou linguista, mas percebo que temos ali um crioulo de base inicial portuguesa que depois vai agregando léxico (eventualmente mais traços) de outras línguas. Segundo o texto introdutório, Hermínio Treviño Salas, ou Nánãy-Menemôl Lêdjam, recolheu uma grande variedade de textos – não só uma grande quantidade, mas uma grande variedade. Podemos encontrar na recolha canções em ...