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Mensagens

Poesia angolana recente e o nordeste africano

As partilhas antigas, culturais e políticas, entre povos do nordeste africano e do centro ou do sul da África negra, ficaram mitigadas nas memórias coletivas dos povos angolanos, às quais se somaram depois outras memórias mitigadas, no longo período colonial angolano também aquelas veiculadas por agentes globalizantes europeus.

Angola e o Nilo

"formaste Hapi, (o Nilo), criaste o grande mar e dás vida a quantos existem dentro dele " (Papiro de Hunefer, 1370 AC) Desde a sua formação que o Egito e o Nilo se relacionam intensamente com regiões a Sul, por entrepostos e contactos diretos e indiretos, por várias vias (incluindo a marítima), até aos Grandes Lagos pelo menos.

Choques de gestão, congestão e indigestão

Os acontecimentos no Hospital Américo Boavida em Luanda, as declarações proferidas pela Ministra da Justiça de Angola na entrada do novo ano e por alguns governadores, chefias policiais provinciais ou nacionais, pelo próprio Ministro da Saúde sobre os acontecimentos no Hospital Américo Boavida permitirão perceber, retroativamente, parte substancial do que se passou na Universidade Katyavala Bwila em 2010. Desde que a Presidência e o Governo (ou pelo menos a parte mais séria do governo) resolveram por termo às práticas de má gestão, de corrupção generalizada, do absentismo e da desresponsabilização, vamos assistindo a choques cada vez mais sérios que nada mais são do que choques de cultura política e cívica. Ao longo das últimas décadas, fossem quais fossem as causas que não nos curam dos efeitos, generalizou-se uma cultura (ou falta de cultura) política, cívica, de gestão da 'coisa' ou 'res' pública baseada no improviso, na aceitação passiva da incompetência e da corru...

Malangatana

Herói de muitas cores, Malangatana Valente morreu. Ficou-me na memória um curto apontamento. Numas lusografias eborenses, com ajuda de vários ciganos e judeus (e quem éramos nós?), levámo-lo também. Ao jantar, numa tasca, no Verão do princípio de Julho, ouviu pacientemente muitas pessoas falarem. Falavam alto, falavam muito, não diziam nada. Era a química excessiva do dia a sair rapidamente empurrada pelo encorpado vinho alentejano e pelos petiscos que o distraem. Só ele estava calado. Perguntaram-lhe porque não dizia nada, instando para que falasse. O interpelado ficou em silêncio. A pouco e pouco, a longa mesa foi silenciando com ele. Só depois começou a murmurar, muito baixinho. Um bocado mais à frente descobrimos que o murmúrio era um canto que ia crescendo imparável de dentro e do fundo daquele peito largo de cabeça de tambor. Foi-se levantando o canto, crescendo, abraçando-nos e acabámos em uníssono, em voz alta mas medida, prestando a melhor homenagem que podíamos ao Alen...

Arqueologia angolana

Se não me engano, foi este o título da única obra de largo fôlego sobre arqueologia em Angola . Da responsabilidade de uma figura-chave para a divulgação e a própria formação de um ambiente cultural e literário verdadeiramente nacional nos anos 50 a 70 (Carlos Ervedosa), desde então não conheço (mas não sou historiador) uma obra de relevo que nos traga notícias da arqueologia sobre o nosso país e feita por angolanos. Há um trabalho recende, subscrito por Manuel Gutierrez (que coordena outras investigações angolanas): Art rupestre en Angola: province de Namibe , com prefácio de Francisco Xavier Yambo, que justamente chama a atenção para a necessidade de uma arqueologia das grandes cidades pré-coloniais: "Mbalundu, Mbanza Ndongo, Itengo, Mbanza Kongo, Kassanji, Ondjiva, etc". Há mais trabalhos mas mal divulgados, de curto escopo e incidindo sobre pinturas rupestres - tanto quanto o leitor comum possa conhecer aqui. É estranho que não se faça arquelogia dos últimos 1000 a...