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Arqueologia angolana



Se não me engano, foi este o título da única obra de largo fôlego sobre arqueologia em Angola. Da responsabilidade de uma figura-chave para a divulgação e a própria formação de um ambiente cultural e literário verdadeiramente nacional nos anos 50 a 70 (Carlos Ervedosa), desde então não conheço (mas não sou historiador) uma obra de relevo que nos traga notícias da arqueologia sobre o nosso país e feita por angolanos. Há um trabalho recende, subscrito por Manuel Gutierrez (que coordena outras investigações angolanas): Art rupestre en Angola: province de Namibe, com prefácio de Francisco Xavier Yambo, que justamente chama a atenção para a necessidade de uma arqueologia das grandes cidades pré-coloniais: "Mbalundu, Mbanza Ndongo, Itengo, Mbanza Kongo, Kassanji, Ondjiva, etc". Há mais trabalhos mas mal divulgados, de curto escopo e incidindo sobre pinturas rupestres - tanto quanto o leitor comum possa conhecer aqui.


É estranho que não se faça arquelogia dos últimos 1000 a 2000 anos, por exemplo. Tanto mais quanto assistimos, em quantidade e muitas vezes em qualidade, a um crescimento e uma intensificação de estudos sobre Angola, a história dos povos que atravessaram o nosso território e nele se instalaram, tentativas de datação de momentos decisivos, etc. Mas os livros importantes sobre a nossa História (isso data já do tempo colonial) limitam-se a, com maior ou menor rigor, confrontar fontes escritas com fontes orais e tirar daí conclusões. Essas conclusões são sempre muito relativas, não nos permitem propriamente concluir nada sobre, por exemplo, quando se fundaram grandes unidades políticas para- ou pré-coloniais, como por exemplo Kongo, Lunda, Ndongo, Matamba, Cuanhama, Bailundo, várias outras.


É claro que temos sempre a desculpa da guerra e, no tempo colonial, a de que não havia interesse das autoridades. Mas a guerra não nos impediu de fazer arqueologia na Ilha de Luanda, ou na Mulemba Xangola (na que se pensa que seja essa árvore), bem como em Benguela - onde agora se vai investigar uma prisão do princípio do século XX (na Chila) sem se investigar a instalação dos povos que ali vivem há séculos para saber da sua chegada ao local, das formas de vida em cada época, enfim, de tudo aquilo em que a arqueologia nos pode ajudar.


Fica, portanto, uma espécie de mistério, ou pelo menos de adivinha. Porque é que não há investigação arqueológica sobre o período histórico em Angola? Alguém precisa de carbono 14?

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