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Fotografia em Benguela



No último quartel do século XIX tornam-se comuns para o investigador as notícias sobre fotografia na província e na cidade de Benguela.


Um dos principais impulsionadores da fotografia na província foi o naturalista português (acredito que plenamente angolanizado) José de Anchieta, que viveu os seus últimos anos em Caconda, onde morreu no ano de 1897. Do seu espólio constavam máquinas fotográficas, dois laboratórios de revelação, livros sobre fotografias. É provável que algumas fotos por ele tiradas tenham seguido para Portugal e residam hoje em arquivos portugueses, uma vez que ele trabalhava como naturalista para o governo português.

Mas o interesse era geral. Há menção a fotografias e material para fotografias no periódico A semana, dirigido pelo escritor e causídico Pedro Félix Machado e creio que o primeiro periódico benguelense (1892-1893). Muitos inventários de órfãos dão conta, não só de material para tirar e imprimir fotos, mas também de livros sobre e de fotografias. Por exemplo o de Pedro Martins de Paiva (feito em 1873), capitão de porto, natural de Benguela, que possuía "uma máquina para tirar retratos", ou o de José Marques Ferreirinha (m. 1898), negociante solteiro que possuía oleografias (estava-se no auge da moda das oleografias), alguns livros ("num quarto que serve de sala de negócios", uma caixa de música, uma máquina fotográfica e "objetos de photographias". 


Curiosamente, nesse mesmo ano de 1898, atestando a popularização da fotografia, o pobre carcereiro da prisão de Benguela, Alfredo Rodrigues do Amaral Gorgel (m. 12-10-1898), deixa de espólio muitas "pequenas fotografias" que, pelos vistos, colecionava.


Um dos primeiros fotógrafos profissionais nesta zona foi, segundo me parece, um português chamado Frederico Augusto de Lima. Tinha muitas máquinas quando morreu, um laboratório muito grande e completo para revelação. Natural de Águeda, começou a vida como dentista. Morreu em Benguela, onde morava (na Rua Direita da Alfândega, numa casa alugada) aos 32 anos. Do seu espólio constavam:
  • Duas flautas
  • Vários catálogos
  • Vários livros
  • Uma filha menor (!)
  • Material fotográfico
  • Fotos
  • Máquinas fotográficas
  • Material para revelação
Depois falarei de outros fotógrafos benguelenses. 

Comentários

  1. Olá! Este José Marques Ferreirinha teria sido meu tio bisavô. Que me pode contar mais sobre ele? Obrigado!

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