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Mensagens

Entre a lua, o caos e o silêncio: a Flor - prefácio

Recentemente lançada a mais completa antologia de poesia angolana que se publicou até hoje.  Tive o prazer de escrever o prefácio, que reproduzo:   1 – Ponto prévio A literatura desenvolve-se e propaga-se pela palavra escrita, mais precisamente pelo uso das letras para designar os sons da linguagem. O sistema onde se inclui a literatura, porém, assenta sobre várias esferas de circulação artística e, portanto, integra as oralidades, a escultura de provérbios como nos testos de panela, a geometria de estórias e ensinamentos como nos desenhos sona , as memórias arcaicas (dos arcanos ou dos princípios) como nas figuras do Tchitundu-hulu. Simultaneamente, não deixa de lado os restantes sistemas artísticos, a cujos estames recorre como o vento (ou seja: passa por lá e leva as sementes), porque a sua própria constituição é intersistémica, descontínua e abrangente. Como diria, em resumo, Aristóteles, numa linguagem mais antiga ainda que esta meio estruturalista, a poesia (termo ...

Línguas e cognição na formação da literatura angolana

  A transformação de uma língua  em contextos plurilingues, ou multilingues, implica distanciamentos epistemológicos também, cuja consideração se torna necessária e vem alargar, por outra via, a perspetiva de Mário António acerca da formação da literatura angolana. Habitualmente, quando falamos na formação transcultural em contexto multilinguístico, não consideramos esse aspeto fundamental. Não costumamos reparar, ao falarmos em línguas e culturas em convívio, na relação do contexto multilinguístico e multicultural com o processamento cognitivo. Exploro com a brevidade possível essa hipótese de alargamento da perspetiva inicial de Mário António que, assim alargada, é familiar a outros ensaístas também.   A compreensão das transformações cognitivas (periodicamente sinalizadas por metáforas e alterações sintáticas e morfológicas) precisa de um resumo rápido de como concebo, quer a cognição, quer a linguagem, bem como as relações entre elas. Para me explicar, parto do proc...

Andam uns pretos em Pousaflores

  Vou falar do livro Os pretos de Pousaflores , escrito por Aida Gomes.   Agradeço a gentileza da transcrição da conferência ao Prof. Dr. Carlos Alberto Alves. Adaptei-a à escrita, mas procurei preservar alguns traços de oralidade. A conferência foi proferida no  I Congresso Internacional  Vozes e escritas nos diferentes espaços da língua portuguesa , realizado em linha pela Univ. Federal do Rio de Janeiro,   em 17 de novembro de 2020. É um livro que saiu em 2011 pela Dom Quixote e recebeu edição digital a partir de 2012. Aqui no Brasil essa edição está disponível, por exemplo, na Amazon . Para que se compreenda a minha comunicação um pouco melhor, eu vou resumir-lhe intriga e enredo, visto que o livro não será do conhecimento do grande público, ou de algumas das pessoas que se disponibilizaram a assistir a estas palestras. O livro conta, resumidamente, a estória - que é a sua estória principal - a história de uma família não convencional que, face ...