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Mensagens

As noites de Boaventura

Noites de vigília , de Boaventura Cardoso, é um romance crucial para a História de Angola e da Literatura Angolana. Passo a explicar porquê e quem tiver a oportunidade de ler o livro certamente vai concordar comigo. 1.    Não é tanto pelo estilo. O estilo do autor, neste livro, apura-se mais uma vez. Por exemplo, o trabalho sobre a linguagem torna-a ligeiramente mais leve, de leitura mais corrente, sem abandonar as suas principais características, que a inscrevem numa linha de subversão linguística de inspiração popular que, vindo embora de uma componente do Ulisses de Joyce (e, para nós, de Guimarães Rosa), tem uma tradição própria já em Angola, desde Luandino Vieira até Ondjaki, manifestando-se principalmente na prosa narrativa mas ainda na poesia em verso, logo desde João Maria Vilanova e suas Vinte canções para Ximinha (1971). Dentro desta vertente estilística da nossa literatura a prosa narrativa de Boaventura Cardoso ocupa, sem qualquer dúvida, um lugar muito...

pensamento poético e palavra

Dizia Sidharta, pela voz de Hermann Hesse: "o oposto de cada verdade é igualmente verdade".  Não se tratava de relativismo fácil e mecânico. "Isso significa: uma verdade só pode ser comunicada e formulada por meio de palavras quando for unilateral. Ora, unilateral é tudo quanto possamos apanhar pelo pensamento e exprimir pela palavra. Tudo aquilo é apenas um lado das coisas, não passa de parte, carece de totalidade, está incompleto, não tem unidade." Geralmente, quando usamos a palavra precisamos defini-la, usá-la com um, no máximo dois sentidos, intuitos e funções muito claros (pelo menos para nós). Em particular os discursos que pretendem representar, conceitualizar, discutir e fundamentar a verdade precisam de usar cada palavra num único sentido.  Essa é a morte da palavra, que a torna unilateral e, portanto, falível. Porque, lendo ainda Sidarta , cada coisa tem em si todas as coisas, incluindo o que foi e o que será. Portanto, uma palavra para falar de um...