"… todos aqueles que não nasceram com uma limusina estacionada debaixo da varanda, todos os que desejam sacudir a ordem estabelecida, todos os que se revoltam contra a corrupção, a arbitrariedade estatal, as desigualdades, o desemprego, a ausência de horizontes, todos os que dificilmente encontram o seu lugar num mundo em rápida mudança, sentem-se tentados pelo movimento islamita. Satisfazem aí, ao mesmo tempo, a sua necessidade de identidade, a sua necessidade de inserção num grupo, a sua necessidade de espiritualidade, a sua necessidade de decifração simples de realidades demasiado complexas, a sua necessidade de ação e de revolta. Ao dar testemunho de todas estas circunstâncias que conduzem os jovens do mundo muçulmano a entrar nas fileiras dos movimentos religiosos, não posso deixar de sentir um profundo mal-estar. Este mal-estar advém do facto de, no conflito que opõe os islamitas aos dirigentes que os combatem, me sentir incapaz de me identificar com um ou com o outro ...