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Mensagens

a decadência cognitiva e o privilégio da violência

"... a intelecção dos erros e equívocos revela o processo cumulativo de declínio. A fuga à compreensão entrava as inteleções exigidas pelas situações concretas. Emergem então diretrizes desprovidas de inteligência e cursos de ação desajustados. A situação deteriora-se, exige constantemente outras inteleções que, à medida que são bloqueadas, tornam mais obtusas as diretrizes e mais inepta a ação. Pior ainda, a situação em vias de deterioração parece fornecer à mente acrítica e preconceituosa provas factuais de que o pretenso preconceito se verifica. Assim, em medida sempre crescente, a inteligência acaba por ser considerada como irrelevante para a vida prática. A atividade humana amolda-se a uma rotina decadente, e a iniciativa torna-se privilégio da violência" (Bernard Lonergan - Insight: um estudo do conhecimento humano . trad. Mendo Castro Henriques e Artur Morão. São Paulo: É realizações, 2010. - Prefácio à edição canadense, p. 25).

Plínio Palhano

Plínio Palhano é um desses extraordinários criadores pernambucanos cuja obra fica mal conhecida fora de um círculo ou circuito estrito. Desde poetas como Carlos Pena Filho, ou Alberto Cunha Melo, ou Ângelo Monteiro e Lucila Nogueira, até este artista plástico a arte e a literatura de Pernambuco, particularmente de Olinda-Recife, continua a constituir uma experiência instigante para estudiosos e apreciadores. Talvez recursos como a Internet estejam subaproveitados por alguns destes criadores artísticos. Atualmente foi colocada em rede uma mostra significativa, que vale mesmo a pena visitar, de quadros de Plínio Palhano. Para ela remeto os visitantes do blogue. É só clicar em Plínio Palhano

Portugal não precisava de ajuda externa

É o que dizem alguns analistas a propósito da crise portuguesa.  Discordo. Precisava, sim. Há muito tempo. Mas não pelo que se diz.  Parece-me que Portugal tem sido um país crónicamente mal governado. Sendo pobre de recursos naturais só uma boa gestão pode fazê-lo viável. A má gestão contínua, alimentando empresários pouco produtivos, isso é que tornou a ajuda externa incontornável há mais tempo do que 2011.  Incontornável porque é necessário acabar com a chulice das empresas públicas e das fundações e dos assessores e dos sacos sem fundo e nenhum político português até hoje conseguiu isso. Por um motivo simples: é preciso alimentar as clientelas que dão vitória e quadros aos partidos. As clientelas alimentam-se com empregos e facilidades que só uma rede de grandes empresas públicas e fundações pode sustentar.  A intervenção do FMI e da UE levará a quebrar essa falsa rede empresarial e a dinamizar a economia do pequeno país. Obrigará os empresários a ge...

Afrikkanitha ainda sonho

Vale a pena ouvir o novo CD desta cantora angolana Ainda sonho . A cantora melhorou a sua performance (que já era boa), tornou totalmente convincente e universal a interpretação, diversificou mais ainda o leque de escolhas (o que se reflete nos títulos e línguas das letras, na versatilidade estilística e no coletivo de músicos envolvidos), tráficos e influências, numa variedade artística sentida e consciente que a prepara para se apresentar em qualquer palco do mundo jazzístico sem precisar de paternalismos ou críticas benevolentes (e desleixadas). Sente-se que este Ainda sonho é, como a cantora diz, mais uma obra de amor. De um amor que se cultiva, aprofunda, mistura e depura ao mesmo tempo. É produtiva a comparação do estilo vocal de Afrikanita (que me desculpe: simplifiquei a grafia) com outras cantoras de Jazz da atualidade. Para além de alguns nomes do Jazz brasileiro e da portuguesa Maria João, há profundas similaridades com uma linha interpretativa que escutamos – para f...

Amin Maalouf as identidades assassinas

  "… todos aqueles que não nasceram com uma limusina estacionada debaixo da varanda, todos os que desejam sacudir a ordem estabelecida, todos os que se revoltam contra a corrupção, a arbitrariedade estatal, as desigualdades, o desemprego, a ausência de horizontes, todos os que dificilmente encontram o seu lugar num mundo em rápida mudança, sentem-se tentados pelo movimento islamita. Satisfazem aí, ao mesmo tempo, a sua necessidade de identidade, a sua necessidade de inserção num grupo, a sua necessidade de espiritualidade, a sua necessidade de decifração simples de realidades demasiado complexas, a sua necessidade de ação e de revolta.   Ao dar testemunho de todas estas circunstâncias que conduzem os jovens do mundo muçulmano a entrar nas fileiras dos movimentos religiosos, não posso deixar de sentir um profundo mal-estar. Este mal-estar advém do facto de, no conflito que opõe os islamitas aos dirigentes que os combatem, me sentir incapaz de me identificar com um ou com o outro ...

Greve no Egito

Não foi agora, não. Mas em 1152 AC. Trata-se da primeira greve documentada da história da humanidade. Trabalhadores egípcios suspenderam a construção do túmulo de Ramsés III por atrasos nos pagamentos.  Os pagamentos eram em grão e semanais. Por culpa do poderoso governador de Tebas atrasaram-se três semanas - o equivalente a quatro sacos de trigo e um saco e meio de cevada. Depois de abandonarem o trabalho, dirigiram-se ao templo onde se guardavam os mantimentos e os sacerdotes entregaram-lhes imediatamente o que estava em dívida, com medo de uma revolta popular e correndo o risco de enfrentar o déspota de Tebas.  Afinal os egípcios estavam habituados aos protestos há milénios.