Em tempos escreviam-se memórias fragmentárias intitulando-se Lampejos de memória . Menos antigamente, no Brasil, Darcy Loss Luzzato nos deixou Lampi de memòria , com o título seguido pela frase “deixem-me contar-vos antes que eu esqueça”. Na década de 1970, era usual os jovens referirem diversos ‘flashes’ – ainda que nenhum deles fosse o da máquina fotográfica. O ‘flashe’ era uma súbita iluminação, mas também uma lembrança, um vislumbre, uma associação inesperada de ideias ou uma formação de imagem surpreendente. O que havia de comum entre todos eles era o seu caráter único, portanto um fragmento fulgurante no desfile da vida mental, aparentemente isolado. Esses ‘flashes’ eram, de facto, lampejos – se ainda nos lembrássemos da palavra antiga mais que da inglesa. Este tipo de memórias é fragmentário, mas não flui como um diário, que traz ainda algo de metódico (escrever, em princípio, todos os dias). Há quem se preocupe em escrever os seus sonhos e, da mesma forma, há...