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Mensagens

O Ngunga de Pepetela e a tradição oral

A narrativa de Pepetela, tipicamente realista, recorre muito às tradições orais, porque é sobre a ruralidade ancestral que busca fundar a angolanidade. Essa interacção da narrativa de Pepetela com as tradições orais, por alguns textos que tenho lido (e reconheço não ter ainda feito uma pesquisa sistemática), não tem sido muito aprofundada ou desenvolvida para além do óbvio, ou seja: do que é óbvio assim que se lê os livros dele.  De acordo com a sabedoria ancestral (e não só bantu ) a nomeação das pessoas é fundadora. Um dos livros de Pepetela mais conhecidos, o mais directamente relacionado com intuitos pedagógicos, é precisamente As aventuras de Ngunga . O que digo a seguir sobre esse nome não deve ser interpretado além do que é: um contributo que precisa de se juntar a mais dados para chegarmos a uma interpretação equilibrada, razoável e compreensiva do que pode implicar para a leitura a escolha do nome 'Ngunga'. Em língua  kimbundu  há um conto, creio que inser...

A fúria destruturante e a renovação crítica

O assalto ao domínio das vulgatas estruturalista (francófona) e marxista sobre as universidades assentou basicamente num relativismo precipitado oriundo da filosofia que se foi disseminando em círculos daí para fora - de tal maneira que o conceito de disseminação  só se aplica na totalidade a este mesmo fenómeno.   No caso dos estudos literários, o projecto anti-filosófico de Jacques Derrida, muito por culpa da academia norte-americana também, aplicou-se tal qual à consideração de textos teóricos e críticos que substituiu o próprio estudo da literatura.  O ataque principal dirigiu-se ao estruturalismo. Lendo e relendo hoje as obras seminais de Paul de Man, bem como os textos que tornaram o relativismo popular nos anos 80 e 90 no universo euro-americano, mesmo os livros de Jonathan Culler e as propostas de Derrida e de Foucault, observamos facilmente que em nada a leitura do estruturalismo de Praga foi verdadeiramente levada em conta para os seus comentários e a...

Concreta e visual: Angola - I

Concreta e visual: Angola – 1 Apresentação Este artigo visa possibilitar uma leitura histórica das inter-relações entre as vanguardas artísticas globais e a literatura angolana ao longo da segunda metade do século XX. Ele divide-se em duas partes. Embora o estudo dessas inter-relações precise de abordar mais vanguardas estéticas, aqui só vou levantar as relações da nossa poesia com o movimento concretista (parte 1) e a poesia visual (parte 2). A primeira parte é a que se publicará no presente número de Maka . Uma vez que muitos leitores angolanos, principalmente jovens, estão pouco informados sobre a poesia concreta e a poesia visual, cada parte incluirá um esclarecimento breve sobre elas, a sua constituição diacrónica e reticular. 1. Nos anos 50, em São Paulo, os irmãos Campos (Haroldo [1929-2003] e Augusto[1931-]), Décio Pignatari [1927-]  e poucos mais começam a desenvolver a teoria e a prática da poesia concreta, numa articulação estimulante com realizaç...