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Mensagens

frente e costas, de bicicleta

Veio a público, a partir da Mandrágora  portuguesa, pedalando numa bicicleta que descende por via uterina do próprio Marcel Duchamps, a primeira ação do projeto editorial frente & costas . Como entre pessoas íntegras frente e costas não se desmentem, ambas as metades dessa assimetria são assinadas por M. Almeida e Sousa, performer, ator, poeta português desde cedo envolvido nas vanguardas artísticas ibéricas. Como em todas as peças assim concebidas, o final das duas partes fica, paradoxalmente, no meio da brochura. Mas o que mesmo interessa está lá dentro, de qualquer maneira. Na frente um teatro absurdo, com uma linguagem completamente nova e intraduzível - embora de sonoridade agradável. As indicações cénicas são dadas em português e culminam com a última, onde uma linguagem profundamente lírica, surreal e paradoxal fecha a peça com chave (portuguesa) de ouro.  Na segunda metade, a presença da linguagem se junta à sua indiferenciação, por ilegibilidade ou por i...

II trienal de Luanda

A II trienal de Luanda continua a cumprir uma função estruturante no meio artístico luandense: a de atualizar as culturas artísticas locais pelo emparceiramento com criadores de outros países e de qualidade evidente.  Este ano a fotografia ganhou relevo e mostrou o que já se vinha observando a pouco e pouco, mitigadamente: que a fotografia artística angolana pode apresentar-se, de igual para igual, em qualquer parte do mundo. Esta trienal torna-se, por consequência, um marco na história da fotografia angolana – ainda que, felizmente, não se reduza a isso. Outra escolha da trienal que me parece de realçar é a inclusão de espetáculos de leitura de poesia, articulada ou não com música, design, fotografia, projeções. Há sem dúvida mais trabalho a desenvolver, porque a apresentação de poesia é – também ela – um espetáculo total, incluindo performance , representação, mímica, projeção de imagens e de sons, dança. O poema chama por tudo isso para se transmitir. Por sua vez, nem todos...

Sugestões de leitura

1. Morreu uma figura emblemática de Luanda, Gabriel dos Santos Baguet, pai do nosso amigo Gabriel Baguet Jr. Jerónimo Belo publicou, no Jornal de Angola de Domingo (21-11-2010, p. 7) uma sentida crónica. Desta vez não é o aspeto estético (está muito bem escrita) que me interessa mais – apesar de tudo. O mais retenho são informações bibliográficas que, para além do momento sentido, fortemente emotivo, são fundamentais para quem tiver a pretensão de fazer História da Literatura. O retrato psicológico de Gabriel dos Santos Baguet, feito por Jerónimo Belo (“um dos rapazes de então a quem o meu querido primo Baguet influenciou”), retrata-o “em primeiro lugar” enquanto “Mestre e amigo”: “foi toda a vida um homem de tertúlias, um nacionalista convicto, um perguntador constante mas sempre muito disponível para ouvir os outros e um cantor da Mulher”. O que fazia com os amigos em tertúlia é o que mais me interessa agora: “contava desafios de memória, muitos d...

contraste sem confronto

Título do Novo jornal (19-11-2010, p. 19): «Angola com dificuldades em travar proliferação da pólio» Subtítulo: “Ministro da Saúde admite ‘responsabilidade moral’”. Sem dúvida um exemplo – e vindo de quem se tem empenhado na luta contra a poliomielite. Realmente, a democracia e a ditadura estão, antes de tudo, na cabeça de cada um de nós.

contrastes e confrontos 2

Jornal de Angola , 5.ª F.ª, 18-11-2010. Chamada à capa: “Mais energia para Luanda/Entrevista”. Entrevista (p. 5), título: «João Borges garante mais energia para Luanda». Aviso, na última página – título: «Redução de energia à cidade de Luanda».

contrastes e confrontos 1

“É urgente criar uma mentalidade de rigor e profissionalismo na gestão das empresas públicas. Tem que haver uma boa gestão, fazer prevalecer o princípio da transparência e da prestação de contas” – afirmação, pertinente e notável, da Ministra da Comunicação Social em entrevista ao Novo jornal (19-11-2010, p. 13). E muito mais em se tratando de empresas de comunicação social, em que o rigor e o profissionalismo se estendem à exatidão, isenção e sentido de oportunidade da notícia, à necessária existência de contraditório, ao rigor usado na linguagem e no raciocínio, à acuidade das perguntas em entrevistas, etc. Da mesma entrevista (mesma página): “infelizmente, [d]os pedidos que estão aqui no Ministério [para abertura de televisões privadas…] o tipo de nome que é dado à televisão, os planos editoriais que nos apresentam, que não são aliciantes nem abrangentes, [bem como] pela falta de capacidade financeira” não podem ser aprovados. A TV Zimbo, por reunir todas ess...