Veio a público, a partir da Mandrágora portuguesa, pedalando numa bicicleta que descende por via uterina do próprio Marcel Duchamps, a primeira ação do projeto editorial frente & costas . Como entre pessoas íntegras frente e costas não se desmentem, ambas as metades dessa assimetria são assinadas por M. Almeida e Sousa, performer, ator, poeta português desde cedo envolvido nas vanguardas artísticas ibéricas. Como em todas as peças assim concebidas, o final das duas partes fica, paradoxalmente, no meio da brochura. Mas o que mesmo interessa está lá dentro, de qualquer maneira. Na frente um teatro absurdo, com uma linguagem completamente nova e intraduzível - embora de sonoridade agradável. As indicações cénicas são dadas em português e culminam com a última, onde uma linguagem profundamente lírica, surreal e paradoxal fecha a peça com chave (portuguesa) de ouro. Na segunda metade, a presença da linguagem se junta à sua indiferenciação, por ilegibilidade ou por i...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.