No seu relato Como eu atravessei a África Serpa Pinto escreve:
É occasião de falar em Quissongos e Pombeiros. Os carregadores, não só os Bihenos mas sim tôdos em geral, formam grupos pequenos debaixo do commando de um d'elles que é chefe do grupo. Este chefe, desde a costa até a Caquingue chama-se Quissongo, e no Bihé e Bailundo Pombeiro.Qualquer das duas palavras é muito viajada. Falo agora da última, com um percurso transcontinental.
Quando os portugueses chegaram ao Reino do Congo (ou Kongo para a grafia de origem protestante) ouviram referências a um grande mercado situado bem dentro de África e pertencente àquela grande unidade política. Esse mercado chamava-se Pumbo e até ele iam negociar até comerciantes árabes.
Um antigo administrador colonial dá-nos, em resumo, a localização:
Pumbo, região actual do Congo Belga e cujos limites eram, mais ou menos, os seguintes: a oeste o Zaire, a norte o Cassai, a leste o Cuango e a sul uma linha, paralela ao equador, que, passando o actual Stanley -Pool, unia os cursos do Zaire e do Cuango.Seguindo os negociantes congoleses, começaram os portugueses a ir lá negociar também e foram recebendo por isso o nome de pumbeiros.
Os comerciantes portugueses enviavam, muitas vezes, os escravos de maior confiança a comerciar. Gradualmente se tornaram mais comuns os aviados mestiços e negros, que trabalhavam para um português, do que o próprio. Não só no Pumbo mas em outros grandes mercados africanos.
Com isso o termo pumbeiros, mais tarde grafado pombeiros também, veio a designar os comerciantes coloniais, ou seus aviados, que iam pelo mato frequentando esses mercados.
Nos Açores e em zonas do Brasil com forte colonização (e emigração) açoriana, a palavra "pombeiro" pode significar, por isso, um ambulante que vende "de tudo um pouco" segundo a wikipédia. Segundo o Dicionário Priberam a palavra, no Brasil, significa "vendedor ambulante de galináceos e pombos." Pode-se pensar que o facto de vender pombos tenha sido decisivo para esta aceção mas penso que não, que ela vem mais do tipo de negócio (venda ambulante).
Cerca de 70 ano depois (1881) Serpa Pinto publicava o seu relato e, nas zonas por onde andava quando da citação acima (a Sul e também a Leste da feira do Mucary, Malange, de onde partiram os pombeiros), apanha no Bié esta aceção da palavra, ou seja: chefes de carregadores.
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